Mostrando postagens com marcador Mariana Ianelli. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mariana Ianelli. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Mariana Ianelli

 AMANHÃ

O poema continuará o dia
Que não deixamos terminar
Porque enfeitiçamos o sono.
Amanhecidas luzes coloridas
Continuarão a piscar depois das festas
Duas, dez, vinte maneiras haverá
De ainda dizer o amor sem a palavra amor.
Uma arquitetura hospitaleira
(Aquela em que pusemos nossos cheiros)
Ficará aberta à visitação,
Poucos virão, talvez alguns ainda vejam 
Nas folhas da palmeira penas de pavão,
Numa água extravasada o mar à noite
E o medo nenhum de ir ao fundo.
Silêncio sobre o silêncio de um deus,
Quando tudo isso hoje vivo
For invenção sobre invenção,
Continuará a brincadeira dos amantes
Num retalho de relva fresca
Como se o mundo fosse justo e bom.
__________________________
Mariana Ianelli
Terra Natal

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Mariana Ianelli

JULHO

Aqui os trabalhos não têm fim,
há sempre novas formas de juntar
cacos de coisas ocorridas no caminho,
há um deserto de senhas, sinais, indícios
mas hoje, hoje a lua é um acontecimento,
há um perfume de casa nos teus cabelos,
há uma flor de maio que rebenta em julho
e um cacho de uvas vermelhas lavadas
brilhando num prato que é pura concupiscência.
____________
Mariana Ianelli
Tempo de voltar

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Mariana Ianelli

FLOR DO OFÍCIO

Emboscada no silêncio
Eu preparo a rosa inútil
Com as horas que salvei
Do desperdício.

Feito um verme
Decompondo ceticismo
Em força indômita,
Preparo e deito essa flor
No teu caminho
Para quando o teu corpo
(Tão quebrantável quanto o meu)
For sozinho pastorear
Seus demônios no vazio.

Quase dois mil anos
Guardado no deserto
Um salmo esperou
Para recobrar sua melodia –
E eu não te esperaria?
______

Mariana Ianelli
Treva Alvorada