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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Ana Luísa Amaral

COMUNICAÇÕES

Entra por essa porta e vem sentar-te
aqui, como daquela vez em que te disse:
os vulcões são pirâmides de luz,
ou campos cheios de sol iluminado.

Terás morrido, sim, e tanto faz
se a sério, se a fingir, os outros o dirão.
Quanto a mim, és fenômeno de gelo
resistente a calor e primavera.

Entra então neste dia, que o sol
resiste ao brilho mais do que neste mês
lhe resistiu, e eu preciso de luz,
não se vê bem agora, é muito tarde,
as luzes nesta sala são baixas e cruéis.

Toma, uma cadeira boa (como a chama
que chega sinuosa): as formas são castanhas,
em perfeita esquadria, e as costas mais direitas
que um iceberg azul na vertical.

Talvez te diga: pirâmides de luz
estes vulcões. Ou não.
Se eu não estiver, ou não estiveres em casa,
deixo um bilhete à porta, junto ao Hades,
na esperança de que o cão
o não destrua - 
___________________
Ana Luísa Amaral
Vozes

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Ana Luísa Amaral

WHAT’S IN A NAME
  
Pergunto: o que há num nome?

De que espessura é feito se atendido,  
que guerras o amparam,  
paralelas? 

Linhagens, chãos servis, 
raças domadas por algumas sílabas, 
alicerces da história nas leis que se forjaram 
a fogo e labareda? 

Extirpado o nome, ficará o amor, 
ficarás tu e eu – mesmo na morte, 
mesmo que em mito só 

E mesmo o mito (escuta!), 
a nossa história breve 
que alguns lerão como matéria inerte, 
ficará para o sempre do humano 

E outros  
o hão-de sempre recolher ,  
quando o seu século dele carecer 

E, meu amor, força maior de mim,  
seremos para eles como a rosa – 

Não, como o seu perfume: 

ingovernado  livre 
______
Ana Luísa Amaral
Lumes